Thursday, January 06, 2005

 

TRANSURUBA TRICOLOR


Flávio Obino, o maior perdedor da centenária história tricolor


Este é o mais ridículo dos 101 anos do Grêmio de Foot-Ball Porto Alegrense, que conseguiu destruir a imagem do clube nos próximos dez séculos. O glorioso campeão do mundo terminou o ano de 2004 como o pior time do Campeonato Brasileiro de todos os tempos. Caiu mais uma vez para a Segunda divisão e ainda se submeteu aos vexames de seus pífios e patéticos dirigentes, fora de campo e aos microfones da imprensa gaúcha. Para o presidente da derrocada tricolor, o notório pé-frio e loser de carteirinha, Flávio Obino, a despeito da piada que o Grêmio se transformou, os torcedores deveriam se orgulhar de serem detentores do melhor site de futebol do mundo, do museu mais moderno da galáxia e possuidor de um ônibus de primeiro mundo, ou como nas palavras de Obino, um "luxo excessivo". O pior time de todos os tempos realizou 46 rodadas no certame de 2004, contabilizando 25 derrotas contra únicas e escassas nove vitórias, superando o vexame patrocinado por Rafael Bandeira dos Santos em 1991. Hoje, o Grêmio é detentor do título de maior perdedor na história do Brasileirão e Obino é o tsunami azul. Nada pode ser pior.


O MAIOR PERDEDOR DE TODOS OS TEMPOS

O rebaixamento começou na fuga de 2003. Cobertos de glória, no calor da hora da comemoração da fuga contra o morto Corínthians naquele ano, depois da tempestade, sob a euforia da Goethe lotada de gremistas losers dando a volta olímpica do fracasso de um ano de penúria e frustração, tudo era vitória. Numa reunião na sala da presidência no Olímpico ainda em dezembro de 2003, três dias depois de o time derrotar o Corinthians e escapar do rebaixamento, os homens do futebol (Krebs e o vice Saul Berdichevski), o presidente Flávio Obino, o vice de finanças, Jaime de Marco, e o vice de planejamento estratégico (o PE do insígne doutor Preis já é uma das grandes lendas urbanas de Porto Alegre), Adalberto Preis, acertaram as estratégias para a temporada 2004. A idéia era evitar que os atrasos de salários, que tanto tumultuaram o time na temporada, se repetissem. Por isso, os gastos com o futebol seriam reduzidos em quase 50% e passariam de R$ 1,2 milhão para R$ 670 mil por mês. Em maio, haveria mais R$ 150 mil para contratações. O valor seria resultado da reestruturação financeira do clube, permitindo maior investimento no futebol. A idéia era não gastar nada. Os contratos eram de três meses. Como no Jockey Club, a época era de apostas. Uma delas foi Garcês, ex-presidiário panamenho indicado pelo cabeça-de-bagre Baloy, chegou no Olímpico por causa do sotaque. Veio de graça e voltou de graça. A penúria, a fome, ao treinadorismo, o amadorismo e o malabarismo no futebol não explicam a sucessão de erros. Apesar do susto em 2003, quando só se livrou do rebaixamento na última rodada, o Grêmio começou a projetar 2004 de forma equivocada. Atendendo a uma exigência do técnico e profeta do goró, Adilson Batista, Obino manteve Saul Berdichevski e Evandro Krebs no futebol. Ou seja, o empregado escolheu os chefes. A decisão de continuar com Saul e Krebs foi tomada em 15 de dezembro do ano passado, dia seguinte à vitória de 3 a 0 sobre o Corinthians, que caminhava em campo. Os dirigentes haviam pedido demissão, alegando terem cumprido a missão de tirar o time do rebaixamento - muito embora o próprio Adílson havia revelado, em 19 de novwembro de 2003, todo o esquema de mala preta envolvendo Grêmio e Criciúma, no Bar do Kabrito, na zona da rótula da Praça da Encol. Na companhia de seu auxiliar, Ivair, e de Saul Berdichevski, o técnico assistia ao empate da Seleção com o Uruguai por 3 a 3. Pediram massa com perdiz e chope. Cinco colorados ocupavam uma mesa da calçada desde o final da tarde. Quando deixou o bar, encontrou o que previa.

- Vocês tentaram comprar o Criciúma, agora vai ser uma guerra... - um deles desafiou o técnico.

- Mandamos a mala preta para lá - insistiram os torcedores do Inter.

Adilson apenas riu:

- Vamos ganhar de qualquer jeito. Vocês não sabem de nada, o Criciúma já está no papo.

- Duvido, quer apostar que vocês perdem mais uma? - continuaram os torcedores.

Adilson aceitou o desafio. O rapaz ligou o gravador do celular tornando público um bate-boca de bar.

Porém, se em 2003 o Grêmio pôde crescer em cima de adversários vendidos ou sem rumo no Campeonato Brasileiro, em 2004, como se não bastassem as orgias e a indisciplina permitida e encoberta no Olímpico, o Tricolor ainda teria que pegar os líderes do certame nas últimas rodadas. O cadáver azul já estava encomendado desde outubro, muito embora o discurso oficial do vestiário sempre defendesse a tese furada da dignidade. Olhando em perspectiva, é possível vislumbrar que o Grêmio estava entregue desde a segunda fase do Gauchão, quando o time de Adílson parou diante da discreta equipe da Ulbra.



UMA MÃO NA FRENTE...

Retrato do descaso. Num dia de outubro de 2004, o ex-cardeal gremista vencedor e refugado pelo perdedores tricolores, Fábio Koff recebeu ligação de Obino. Autuado por fiscais da Receita Federal e do INSS, por conta de mais uma das tantas dívidas trabalhistas gremistas, Obino apelava ao presidente do Clube dos 13 para renegociar o débito. Horas depois, graças ao seu prestígio e conhecimentos como juiz aposentado, Koff conseguia que a dívida fosse postergada, gerando processo administrativo. Nada pode ser menos corporativo. Foi um dos episódios da gestão falaciosa do presidente tricolor. Uma inacreditável falta de visão a longo prazo gerou frankenstein Grêmio de 2004, o pior em um século de vida. Pouco a pouco, os erros constantes foram esbroando a imagem do clube. A gestão Obino foi o último ato de uma história de secular negligência e dependência dos poderosos, do tempo em que os generais acobertavam as vergonhas financeiras do Grêmio.


OUTRA ATRÁS

Apesar do dissimulado discurso de cofres raspados, o que ninguém teve coragem de demonstrar é que a direção que ora se finda cometeu erros que inviabilizaram a montagem de um time razoável em 2004. Decidido a não negociar com empresários, a direção do Grêmio perdeu a disputa por vários jogadores. Um exemplo foi Gilberto, o meio-campista que caregou o piano em 2003, ano em que o time quase afundou com a direção de Obino. Grêmio e São Caetano ofereceram R$ 70 mil por mês ao meia, que havia se comprometido a renovar contrato com o clube gaúcho. Mas como o time paulista pagou um valor ao empresário do atleta, ele foi parar no milionário-emergente São Caetano. De acordo com o pífio dirigente neófito e incompetente Evandro Krebs, o empresário do atleta o pressionou por causa do dinheiro que levaria no negócio, e ele acabou fechando com o Azulão do ABC paulista.



Grêmio 2004: Obino faz torcedor pagar o maior vale da história

Mais do que isso: ao comparar o contexto gremista e a possibilidade de reação que o Grêmio de 2003 foi capaz de empreender de evitar o descenso no ano anterior, os dirigentes e torcedores do Tricolor entenderam que o ano passado foi apenas um entreato bissexto entre um período e outro de glórias para o Clube da Azenha. A certeza da vitória embotou mentes e corações gremistas, a ponto de fecharem (inclusive Odone) com o nome de Obino em 2002. Essa certeza da vitória e a capitosa embriaguez de títulos (análoga à de 1968, quando entregaram o poder tricolor hepta-campeão para o mesmo perdedor Obino), a eclésia de fariseus gremistas históricos que formaram um estamento de conselheiros acomodados protelaram qualquer possibilidade de modernização no clube. Não apostar nos associados como fonte de recursos e deixar de investir na construção de um centro de treinamentos foram dois dos piores erros cometidos ao longo das últimas duas décadas.

Do sonho de virar a grande potência do futebol brasileiro, com a puxada de tapete da parceria da suíça ISL, em 2000, sobraram pesadas dívidas. Um passivo que chega a R$ 95 milhões. O clube não se preparou para a Lei Pelé, deixando de incluir pesadas rescisões nos contratos dos jogadores. Além disso, não proporcionou condições adequadas de trabalho. Para não ter de pagar indenizações, membros das comissões técnicas não foram demitidos em 2004. Apenas deslocados para outras funções, como se o clube fosse apenas um órgão de funcionalismo público.


POLÍTICA DA MUQUIRANAGEM


"O futebol está mal, mas somos o melhor do balancete, que beleza", diz Obino

A endêmica crise financeira do Grêmio provocou situações surreais e contribuiu de forma decisiva para o rebaixamento do time em 2004. No começo do ano, a direção perdedora e mantida de 2003 havia acertado a contratação de um jogador. Faltava a assinatura do contrato para anunciar o negócio. Só que o atleta e seu empresário não puderam viajar a Porto Alegre porque o clube não dispunha do dinheiro para as passagens aéreas de ambos. O acordo acabou confirmado, mas demorou mais tempo do que o previsto, atrasando a preparação da equipe. Em mais de uma ocasião no trágico ano tricolor, a falta de pífios R$ 10 mil, quantia irrisória para os padrões da primeira divisão do futebol brasileiro, impediu o Grêmio de fechar contratações. Segundo o neófito Krebs, os cartolas acertavam com o jogador, mas não tinham dinheiro para pagar as luvas, como um timeco de segunda divisão. A honorável miséria tricolor, cuja dívida chega a R$ 95 milhões, causou outros fatos inusitados. De acordo com o altruísta Krebs, o neófito dirigente precisou bancar de seu bolso passagens para negociar com clubes em São Paulo. Em diferentes oportunidades, e sem mais o mecenato dos militares, gente boa como o eminência parda Antonio Carlos Verardi teve de recorrer ao cartão de crédito pessoal para pagar despesas da falida instituição.


Outro problema surgiu quando o Grêmio passou a receber de volta atletas emprestados a outros clubes. Sem dinheiro para rescindir seus contratos, eles se amontoavam no Olímpico. Foi assim que começou a participação gremista na Copa RS. Um grupo de losers degredados, o Incrível Exército Brancaleone, disputando um título. Um deles veio do Beira-Rio. Enquanto destratava os cartolas do Inter depois de uma querela a respeito de pedido de doping no Gauchão, Berdichevski conseguiu arrastar o meia Saraiva do clube colorado para o Olímpico, como forma de vingança. Foi mero fogo de palha. Depois de sobrar e sequer estrear com a camisa tricolor, mesmo depois de jurar amor ao Grêmio, Saraiva foi parar no Flamengo, onde também não jogou, sendo dispensado em dezembro de 2004, fruto do provincionismo e da soberba de dirigentes como Berdichevski e Krebs, a quixotesca dupla de losers do Olímpico, criaram a grande falácia da maior promessa furada do futebol, apesar de toda a badalação em torno do ex-colorado gremista. A alta flama da fogueira das vaidades não tinha fim. A respeito dos degredados azuis, com o iniciante Plein não foi diferente. Em 22 de junho, o segundo técnico da temporada preparou uma lista de dispensas, na qual estavam incluídos os meias Saraiva, Ratinho, Glauber e Deives Thiago, e os atacantes Guilherme, Zulu e Rico. Mas não foi possível mandá-los embora pela falta de dinheiro. A alternativa foi acomodá-los no time de aspirantes. Para finalizar, estouraram as ações trabalhistas de Danrlei e Mauro Galvão contra o clube, comprometendo R$ 450 mil, bloqueados mensalmente. Mesmo assim, o custo do futebol, em novembro de 2004, estava em R$ 971 mil por mês, quase 75% do valor do ano passado.


Grêmio 2004: Conselho omisso também tem culpa nisso


Fato: política de reforços foi o calcanhar-de-aquiles de Obino. Nos dois anos de sua gestão, o clube contratou mais de 40 jogadores, entre os quais Baloy, Cocito e Fábio Bilica. Ao mesmo tempo, dispensou o goleiro Danrlei, ídolo da torcida, e deixou ir embora bons atletas, como Rodrigo Fabri, Anderson Polga, Basílio e Tinga. Em compensação, para o discurso com fundo falso dos "cofres raspados", Tavarelli, Christian, Claudiomiro e Baloy custavam, juntos, R$ 200 mil mensais ao Grêmio. O arqueiro paraguaio, que foi capaz tanto de encher aeroporto quanto de esvaziar arquibancada com a sua vocação para a derrota, seriu apanas para a alegria dos adversários com os seus frangos históricos, se serviu para alguma coisa no Olímpico, essa coisa foi inflacionar os salários. Nunca R$ 200 mil foram tão mal empregados. Com uma folha nesse valor, o famélico Santo André era campeão na Copa do Brasil, e ainda sobrava dinheiro. Tavarelli só acumulou vexames; Christian se tornou, com o passar do tempo, num jogador totalmente burocrático e sem qualquer sombra de gana; já Claudiomiro e Baloy protagonizaram juntos uma inenarrável dupla de beques de várzea, capazes de construir uma invejável coleção de cartões amarelos e vermelhos. Em Gre-Nal, por exemplo, Claudiomiro parecia querer testar a paciência da arbitragem. No fim do ano, eram figuras tarimbadas no Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).



ULTIMA QUIMERA


Trio de perdedores: Adílson Batista, o pífio Saul e Evandro (que Evandro?)

Inconscientes dos rumos da direção e dos atletas do Grêmio, o início de outubro foi alentador para o torcedor gremista. Por alguns dias, perdido em sua cegeira inalienável de torcedor fanático, ele imaginou que o time poderia, sim, escapar do rebaixamento. Embalada por resultados positivos após ganhar o inútil Gre-Nal da Copa Sul-Americana, a equipe dirigida por Cuca tinha o Fluminense como adversário. Três pontos em casa tirariam o Grêmio das últimas posições da tabela. Não foi o que aconteceu. Numa partida cheia de erros táticos, técnicos, erros individuais e coletivos, o Grêmio deixou o campo derrotado por comoventes 3 a 2. Nas rodadas seguintes, o time não conseguiu mais reagir - foram nove derrotas, um empate e apenas uma vitória - e afundou rumo à Série B. Depois de contratar um escrete de pernas-de-pau, a direção protelou sempre a virada da equipe coma contratação de novos treinadores na base do pensamento mágico, sempre "identificados" com o clube, como Cuca, tido por Rafael Bandeira dos Santos como um homem de personalidade “depressiva”. Mesmo sendo depressivo ou apenas considerado iniciante demais para trabalhar num clube grande, o fato é que Cuca não conseguiu reverter uma característica que começou a aparecer já nos tempos de José Luiz Plein: a falta de mobilização dos jogadores. O peso da camisa derrubou Plein que, depois de bons trabalho no Juventude e Glória, foi devorado pelo vestiário tricolor. Disse que fez de tudo, mas não foi capaz de mobilizar os atletas contratados por Krebs e Saul Berdichevski, capazes de montar um escrete de degredados que demonstrariam menos disciplinados que a equipe feminina de futebol do Madre Peletier.



Grêmio 2004: vexame e cartolagem provinciana


UM EXEMPLO COMOVEDOR...

Um exemplo de como os degredados do "buraco do amor" do vestiário gremista era irredutivelmente pífio, o psiquiatra Rodrigo Russowski (espécie de ovelha negra de uma linhagem de colorados ilustres) resolveu usar o mesmo expediente de 2003, e preparou uma fita, com depoimentos de familiares de jogadores e uma mensagem de incentivo de Luiz Felipe Scolari. No final, para empolgar os atletas, a trilha do filme Rocky III, aquele em que Stallone leva porrada do B.A do Esquadrão Classe A. Dentro das quatro linhas, o Imortal Tricolor quase passou o trator no Internacional de Porto Alegre sobre pura superação e venceu por 2 a 1, de virada. Para um timeco cujo vice de futebol chegou a os comparar ao Boca Juniors após vitória sobre o Santos de Luxemburgo, e que entronizou Baloy como o novo Aírton Ferreira da Silva e Fábio Pinto o novo Beckham, na mentalidade tacanha de cartolas que pararam no tempo da "economia interna" e do mecenato dos militares. Coincidentemente ou não, a única vitória sobre o seu tradicional adversário não resultou em nada. O Inter chegaria à próxima fase da competição e o Grêmio enganaria seus torcedores por mais duas rodadas, ganhando de Criciúma e São Paulo, para decair de vez, até o fim. Houve quem achasse que o problema seria resolvido com o pagamento de bicho. Ora, uam coisa é pagar bicho para um Gilberto; outra bem diversa é arranjar empresário tricolor torrando grana a fundo perdido em boleiro do nível de Lucianinho, que não joga bem nem com o salário de Ronaldo Nazário. A questão de pagamento de bicho é curiosa: em 2003, sem muita confiança no time, alguns conselheiros resistiam em colaborar. Mas, em 10 dias, o Grêmio constituiu um grupo de 15 conselheiros e empresários dispostos a bancar a premiação. O pagamento do bicho fora extinto no clube em 1999, durante o mandato de José Alberto Guerreiro (aquele que mandou Ronaldinho embora), sob o argumento de falta de recursos, e desde lá nenhum jogador no Olímpico cogitava de tal premiação. Em 2004, houve quem achasse que o problema tricolor era dinheiro...


BOCAGE NO FUTEBOL

Mas dinheiro não compra comando de vestiário. Fábio Bilica, zagueiro pivô de várias células de crise encobertas pelos cartolas do Grêmio, é dono de uma invejável antologia de insubordinações. Apareceu com uma amante italiana, dos tempos do Ancona (um dos quatro clubes, incluindo o Grêmio, que ele ajudou a afundar com brio, que todos no Olímpico, à princípio, pensaram que se trava de sua mulher). A verdade é que ele havia instalado a amante dois andares acima do seu, no flat onde mora, na região do Menino Deus, em Porto Alegre. Um dia, depois de "mascarar" contra a italiana, esta resolveu rodar a baiana em pleno pátio do Olímpico, fazendo enorme escarcéu. A turma do abafa foi ativada, mas nada pôde fazer, ante a fúria da mulher. Chamaram Sérgio Schueler, notório abafador de escândalos e assessor de imprensa nas horas vagas, que promoveu o jogo de empurra para ver quem se livrava daquele "incômodo". Assessor daqui empurra o escândalo para outro, até que sobrou para o chefe dos gandulas, depois de tentar dialogar em "macarroni" com a tal zinha de alcova do zagueiro gremista, conseguiu enfiar a histérica amante num carro, para largá-la no Iapi.

Outro caso envolveu atletas dos juniores do Grêmio. Fábio "Birita" levou-os para a farra, com direito a bundalelê, mas foi preservado pelos dirigentes, em detrimento dos garotos, que foram afastados e mandados embora. Até o fim, Hélio Dourado ingenuamente em nome do gremismo, manteve Bilica afundando o Imortal Tricolor e levando todos os seus companheiros de concentração junto. Tudo sob o olhar auspicioso de Flávio Obino, o presidente loser. A rusga que culminou em seu afastamento definitivo da equipe se deu pelo fato de que o zagueiro havia tentado, depois de enganar esposa e dirigentes, treinar mesmo atrasado como sempre e bêbado idem.

Rico e Lucianho Ratinho, também prejudicaram o ambiente gremista, tudo sob a anuência dos cartolas. Durante a gestão Plein, eles abandonaram o Olímpico para jogarem uma partida de pelada numa tarde de dia de semana, em pleno Parque Marinha do Brasil, não muito longe do estádio...


PELADA NO MARINHA DO BRASIL

Notícia do jornal Correio do Povo, de 23 de junho de 2004:

"Por alguns instantes ontem à tarde o time infantil do Sporting Sul, de Porto Alegre, teve em seu grupo dois jogadores que há tempos não disputam campeonatos metropolitanos. O meia Luciano Ratinho e o atacante Rico participaram, junto de vários meninos, por uma hora e meia de algumas partidas de futsal nas quadras poliesportivas do parque Marinha do Brasil.

Deslocados da equipe principal do Grêmio para o 'Grupo RS', os jogadores só hoje voltam aos treinos no Olímpico. Ontem, aproveitaram a tarde para correr no parque. Às 15h, quando voltavam de uma corrida na pista atlética, foram vistos pelos garotos que treinavam ali perto. Um dos meninos, que mora nas vizinhanças do clube, reconheceu os jogadores e arriscou o convite. A dupla prontamente aceitou e se juntou às partidas nas quadras de cimento com os garotos.

Rico e Ratinho não ficaram na mesma equipe em nenhum dos três jogos. O meia atuou como goleiro e chegou a brincar com o colega dizendo que este estava chutando forte demais. Junto com eles estavam, além dos meninos do Sporting Sul, outras pessoas. Enquanto uns vestiam uniformes completos de futebol, outros jogavam de boné e um deles vestia calça de brim e sapato.

Na saída, pouco depois das 16h30min, Rico e Ratinho criticaram o remanejo para o 'Grupo RS'. Rico lamentou o fato de o técnico José Luiz Plein não ter falado diretamente com os jogadores sobre o afastamento ontem e também acusou ele de ter pouca experiência.

No Olímpico, Plein evitou polemizar sobre o assunto. O técnico lembrou que ambos estavam liberados do treino, mas rebateu a crítica.

- Não tenho nada a provar para eles, afirmou.


DERROTA E AGRESSÃO

Meses depois de atritos e atritos, como se não bastasse a anunciada eliminação na Copa Colombo/RS com a derrota por 2 a 1 para o Caxias, dia 12 de outubro, o Grêmio viveu uma tarde tensa. Críticas aos jogadores e casos de agressões foram registrados ao final do confronto com o time serrano. Ao ser cobrado por um torcedor, o atacante Rico revidou com um tapa no rapaz. Luciano Ratinho entrou na confusão e só não agrediu um setorista da Rádio Guaíba, por intervenção dos seguranças do clube, tudo visto e testemunhado por populares.

Os ânimos já estavam exaltados quando o Grêmio vencia o Caxias. Nas arquibancadas, torcedores xingavam repórteres que estavam com roupas vermelhas. A mesma crítica, em tom agressivo, foi feita a Baloy quando ele foi visto com uma camisa branca com mangas e detalhes em vermelho. O jogador discutiu com alguns torcedores e depois, orientado por conselheiros, voltou para o vestiário.

A confusão envolvendo Rico e Ratinho foi mais violenta. Ao terminar a partida, ainda no gramado, Ratinho concedia entrevista: 'Procurei fazer a minha parte pelo Grêmio, tenho a consciência limpa... Peraí, só um pouquinho...'. O meia esqueceu as explicações e passou a fazer gestos obscenos para a torcida e houve xingamentos de ambas as partes. A entrevista foi esquecida.

Minutos depois, Ratinho envolveu-se em outra briga. Dessa vez, o motivo foi uma discussão entre Rico e um torcedor, que foi cobrar mais raça do atacante. O jogador reagiu com um tapa no rosto e foi retirado por seguranças. Na seqüência, ao tentar entrevistar Rico sobre a briga, o repórter foi empurrado por Ratinho.

Em campo, o Grêmio decepcionou a torcida, como sempre. O time, que precisava de uma vitória por três gols de diferença, saiu na frente com Ratinho, no primeiro tempo, mas foi derrotado na etapa final.

A derrota marcou a nona e penúltima eliminação do clube nas nove competições disputadas na gestão Obino. Uma semana depois, dia 23, o Correio do Povo noticiava que os contratos do atacante Rico e do meia Luciano Ratinho com o Grêmio, foram rescindidos em outubro. "A direção demitiu ambos por justa causa. O contrato do meia terminaria no final de dezembro, enquanto Rico teria vínculo com o Grêmio até dezembro de 2005. No início do ano, o atacante foi uma das contratações mais comemoradas pela direção gremista. O vice de futebol Saul Berdichevski na época afirmou que Rico era inclusive melhor do que o meia do Internacional (hoje Lyon), Nilmar. Por sinal, o pediatra saul foi o criador da comparação ridícula entre o cabeça-de-bagre Baloy e o multicampeão Aírton Pavilhão. Fato que demonstra, por si só, o tipo de cartola que trabalhava como vice de futebol do Grêmio Porto-Alegrense - cartolas mais preocupados com o "co-irmão" do que com o Grêmio.

Folclórica e patética também foi a brincadeira do atacante Cláudio Pitbull com um extintor de incêndio durante concentração, em Criciúma, dia 25 de junho. Sua indisciplina acabaria reforçando o 'grupo RS'. Em Criciúma, o atacante invadiu o quarto onde estavam o lateral George e o volante Léo Inácio e disparou contra eles o conteúdo de um extintor de incêndio. A direção considerou a brincadeira como um ato de indisciplina.

Além do afastamento, o jogador foi multado pelo clube em cerca de R$ 400,00 pelos danos causados ao hotel e pelos custos que o Grêmio teve com serviços de lavanderia e troca de quarto.

Curioso é que Dourado transformava o time da Copa RS na Legião Estrangeira, montando um time de degredados, enquanto tentava convencê-los de que não era nada disso. Num dia Hélio Dourado tenta convencer Ratinho e Rico de que a Copa RS é uma competição muito importante. No outro, numa espécie de punição, coloca Cláudio Pitbull para disputar a competição. Ficava a última impressão: quando o Grêmio queria punir alguém, enviava para o 'grupo RS'. Era esse time que queria vencer o certame.



E O GRÊMIO?

Mas, e o Grêmio? Contra o Fluminense, 15 dias depois do Gre-Nal "Farroupilha", foi feito uma "dinâmica" parecido com o "Esta é sua Vida" do parente de colorados e aspirante a J. Silvestre, Rodrigo Russowski. Como se fosse possível transformar Baloy em Aírton na base da dinâmica de grupo e da improvisação emocional de jogadores medíocres, o mesmo parente de colorados editou uma fita com críticas aos jogadores veiculadas em programas de rádio e TV. O material causou efeito inverso. O time entrou em campo ainda mais pressionado. Coincidentemente, os grandes amigos e zagueiros Claudiomiro e Bilica, dois dos jogadores mais contestados pelos críticos, cometeram falhas individuais e foram decisivos no mau resultado contra o time carioca. O segundo, aliás, chegou a ser comparado com Oberdan Villaim, por Hélio Dourado, vice de futebol, que acobertou todas as donjuanices do jogador, um dos responsáveis pelo descenso do maior clube do Brasil. Era essa a visão mágica que os dirigentes tinham dos seus atletas.

Depois do depressivo Cuca, o cavaleiro da triste figura, e Plein, o Neófito, sem comando, sem vice de futebol, entregue a um homem que se bastava pelo seu próprio passado como dirigente em tempos há muito passados, o time se desencontrou de vez. Sem resposta e sem comando, a vaga de treinador ficou novamente vaga, após a acachapante derrota de 3 a 1 no Gre-Nal do dia 23 de outubro, em pleno Olímpico Monumental. Mesmo determinado a abandonar o Grêmio, ficou mais dois dias e dirigiu o time na derrota contra o Cruzeiro para que a direção tivesse tempo de encontrar um novo técnico. A nova mudança, Claudião modess (entra sempre para evitar derramamento de sangue) foi o quarto técnico da temporada - não surtiu efeito. O Grêmio já estava afundado após o clássico para a Segundona.


A POLTRONA 36


Grêmio do frangueiro Tavarelli: delírio do muquirana Obino


O ápice do desgoverno tricolor foi a permissividade sobre a indisciplina no futebol do Grêmio, só para ver que, nesse sentido, todos os clubes caem por conta disso. Apesar da absurda derrota de 1 a 0 para o Paraná, em Curitiba, em 6 de novembro, que afundou o time na lanterna do Brasileirão e, àquela altura, com apenas 1% de chances de escapar da segunda divisão, o clima foi de festa entre alguns jogadores na viagem de retorno. Festa e promiscuidade. Hélio Dourado, cuja declaração veiculada pela imprensa local pode ser ligada a fatos que vieram à luz no fim de 2004, o colocam como protagonista de um dos episódios mais espúrios de toda a história da decadência do Grêmio. "Vi coisas que jamais pensei que veria. Esse cavalheiros não poderiam vestir a camisa do Grêmio, tiveram problemas de comportamento. Não vou falar os nomes por respeito aos profissionais, não quero atrapalhar a carreira de ninguém".

Mesmo confidenciando os escândalos, nada impediu que um colunista da imprensa local revelasse o que se tornou notório após a posse do novo presidente do Grêmio, Paulo Odone (aliás, um dos nomes que fechou em torno de Obino como presidente, em 2002, segundo o site da Zero Hora). Mesmo tentando evitar qualquer vazamento de informações, Dourado não disse os nomes dos atletas mais indisciplinados. A espada de Dâmocles pendeu sobre a cabeça do ex-presidente depois que ele disse que jamais iria tolerar indisciplina em sua gestão. Não só tolerou, quanto permitiu que um jogador permenecesse como laranja podre no grupo. Ele é considerado um dos protagonistas de um dos maiores escândalos do ano de 2004. O fato de afirmar que viu coisas que jamais veria o tornou testemunha principal da vergonha e da promiscuidade gremista, que transformou o Trovão Azul num suave e lírico lupanar.


"FESTA NO APÊ"

O ex-dirigente apenas descreve episódios, como o ocorrido na volta, via rodoviária, de Curitiba, no ônibus do clube, o Trovão Azul, de dois andares. Segundo matéria do jornal Zero Hora, durante o jantar, um pequeno número de jogadores bebeu cerveja em um restaurante à beira da estrada. No retorno ao ônibus, o andar de baixo do veículo - espaço com mesas para jogar cartas, aparelhos de som e TV - transformou-se em uma farra, enquanto integrantes da comissão técnica, dirigentes e a maioria dos atletas tentava descansar no andar de cima. Outro episódio parecido aconteceu depois da goleada de 6 a 1 sobre a Ponte Preta, em Pelotas, em 13 de novembro. No caminho para Porto Alegre foi desencadeada, novamente no andar de baixo do ônibus, uma comemoração que teve até a dança funk "Egüinha Pocotó" e "Festa no Apê", do loser Latino. A indisciplina acompanhou o Grêmio durante a temporada e se intensificou a partir da chegada de Dourado, em junho, junto com o técnico Plein. O ex-vice de futebol preferiu trabalhar sozinho durante os últimos seis meses do ano, sem auxílio de um diretor, apenas com o superintendente Antônio Carlos Verardi. Apesar de seu estilo enérgico e do discurso forte que deu no vestiário quando assumiu, dizendo que não aceitaria indisciplina, o dirigente teve problemas para controlar o grupo e até para se fazer respeitar.

A pior cena vista por certo dirigente ocorreu dentro do Trovão Azul. Incomodado com o ruído provocado plos jogadores no andar de baixo, ele decidiu dormir no fundo do veículos, a fim de não ser incomodado pelo burburinho dos gremistas arruaceiros. Ao chegar na poltrona 36, ele havia testemunhado uma cena de homossexualismo explícito ocorrida por dois jogadores do grupo, que se masturbavam mutuamente. Dois titulares da zaga gremista, hoje afastados.

Outro caso foi o de Felipe Melo é um exemplo dos problemas de mau comportamento de jogadores do Grêmio. O volante costumava cruzar por Dourado sem cumprimentá-lo, o que obrigou o dirigente a uma atitude extrema. Em outubro, durante a concentração do Grêmio em Bento Gonçalves para o Gre-Nal do Estádio Olímpico, o vice de futebol chamou Felipe para uma conversa olho no olho no hall: "não preciso da tua amizade, mas não abro mão da educação. Sou teu chefe e tu tens que demonstrar um mínimo de civilidade. Tu vais me cumprimentar, sim - cobrou o dirigente". Antes, em fins de setembro, os laterais Michel Bastos e Michel foram afastados depois de terem sido flagrados na concentração do Olímpico com bebida alcoólica. Em novembro, foi a vez de Fábio Bilica ser demitido depois de discutir com o técnico Cláudio Duarte durante um treino. O zagueiro foi pivô de outra crise. Duas semanas antes de ser dispensado, faltou a um treino. Publicamente, a explicação oficial era a de que ele estava gripado. Na verdade, havia perdido o horário por causa de uma festa na noite anterior. No rescaldo da orgia romana do Trovão Azul (hoje mais conhecido como "Transuruba"), na volta de Curitiba, o volante Cocito, que havia chegado trêbado em Porto Alegre, resolveu se esconder atrás de uma mochila para que os fotógrafos não flagrassem a sua ressaca, acabou envolvendo-se em um incidente na chegada ao estádio. Irritado, o jogador foi tirar satisfação com um fotógrafo e só não partiu para a agressão física porque foi contido pelos seguranças. Mais tarde, tentou explicar a situação. “Eu estava todo descabelado, com a cara inchada (sic) da viagem de volta para Porto Alegre. Nunca fui de fugir de entrevista. Agora podem tirar a foto”, disse ele, despistando o bundalelê da madrugada. Öbvio: a despeito do estado do seu cabelo, o bafo de bira não ia enganar os setoristas. se a imprensa contass tudo o que esses moços fizeram, certamente que teriam que jogar em outro planeta...

Jogadores baratos? A rapa da rapa? Quem é o algoz dessa degradação? Em fevereiro, após a transferência de Ronaldinho do PSG para o Barcelona, o Grêmio recebeu R$ 5 milhões do clube catalão. O valor referia-se à parte que a Fifa obriga a pagar ao clube formador do atleta (5% do total da transação). Deste dinheiro, R$ 1,5 milhão foi para o pagamento de uma dívida com o Banco Santander. O restante acabou direcionado para gastos que não envolveram contratações.

Ter a amortização da dívida de R$ 95 milhões como prioridade foi o que norteou a malfadada gestão Flávio Obino em 2003/2004. Para isso ser possível, o futebol terminou relegado, principalmente no segundo ano de gestão, quando estrelas do porte de Gilberto e Anderson Lima, que disputaram a Libertadores na temporada anterior, deixaram o Olímpico. Como conseqüência, ficou difícil apoiar Obino em 2004. Os fracassos dentro de campo e a penúria financeira espantaram todos os ex-presidentes que o colocaram no cargo no ano anterior. Obteve ajuda, mesmo, apenas de Hélio Dourado - curiosamente, o único membro do Conselho Consultivo que deu voto contrário à sua aclamação -, que assumiu a vice-presidência de futebol em junho. A ausência de respaldo dos ex-dirigentes foi a maior mágoa do quixotesco Obino. Maior até do que a queda para a Série B.


Grêmio 2004: crônica da morte anunciada, como há doze anos atrás...

"Os resultados do Grêmio causaram o isolamento do Obino. Quando a situação ficou ruim, muitos pularam fora. Quem quer ficar ao lado do perdedor?" questionou o ex-cartola e eterno cavalo do comissário, Fábio Koff, Luiz Carlos Silveira Martins, o vulgo Cacalo, que consentiu com a indicação de Obino. Esse fato pode ser observado no episódio da troca de vice de futebol, quando todos amarelaram. Todos exceto um, o ex-presidente Dourado, que foi o único contra a tal aclamação de Obino em 2002, e que, depois de abandonado no cargo como derradeira alternativa, não poderia ser constestado por ninguém que o abandonou na cova dos leões, ele e Obino, sobre o silêncio ensurdecedor de todo o Conselho do Grêmio. Uma prova da inconformidade de Obino com a solidão no poder eram suas entrevistas. Pouco falava sobre futebol e os problemas do time sob o pretexto de "preservar a instituição". Essa foi a justificativa para os elogios ao site do Grêmio, ao planejamento estratégico e ao regimento interno. Porém, à boca chiusa, a postura de lamentação do presidente era praticamente sempre a mesma. Além disso, pouco foi feito durante a temporada para evitar o desastre que se prenunciava. Além de não ter demitido nenhum técnico (Adilson, Plein e Cuca deixaram o cargo por iniciativa própria, constrangidos com os maus resultados), Obino não repetiu nenhuma das medidas emergenciais tomadas durante o Brasileirão de 2003, quando o clube vivia situação parecida.

Para não comprometer o orçamento, desta vez não houve subsídios a torcedores que quisessem apoiar o Grêmio fora de Porto Alegre, como fartamente e a fundo perdido ocorreu em Criciúma, no ano passado. Além disso, os jogos decisivos de 2004, como contra o Vitória e o Paraná, foram todos mais distantes do que a cidade catarinense. Os do interior do Estado contaram com bom público local. Não contou nem com o apoio de empresários, que em 2003 ajudaram financeiramente até pagando bicho extra aos atletas. Outro indício de que o futebol não era uma prioridade foi a falta de participação do presidente nas decisões do departamento. Em dois anos de mandato, Obino indicou apenas uma contratação.


EPÍLOGO


Nova tragédia de um clube que não sabe diferenciar derrota e vitória

Os 360 quilômetros que separam Erechim de Porto Alegre foram percorridos com serenidade naquele domingo, 28 de novembro. Nem mesmo o fato de horas antes o Grêmio ter seu rebaixamento confirmado ao empatar em 3 a 3 com o Atlético-PR, no Colosso da Lagoa (o Estádio Olímpico estava interditado), alterou o ânimo dos jogadores. Sequer houve alguma demonstração de indignação no ônibus do clube que se arrastou até o Estádio Olímpico transportando a delegação. A inconformidade com a crise já havia sido aplacada por sucessivas derrotas e pelo perfil psicológico de parte dos jogadores. Todos os técnicos que passaram pelo clube em 2004 destacam a falta de poder de reação dos atletas. A última manifestação de indignação ocorrera duas semanas antes, quando o Grêmio havia perdido para o Palmeiras por 3 a 2, em Pelotas. Nos outros jogos, a não ser por atitudes isoladas de Cocito e Claudiomiro, ninguém demonstrava inconformidade com as derrotas. O goleiro (e marqueteiro) Márcio, se publicamente revelava alguma indignação durante as entrevistas, reservadamente se mostrava indiferente e resignado.

Os jogadores se deram conta de que o rebaixamento era inevitável diante do Paraná, em 6 de novembro. O gol sofrido aos 47 minutos do segundo tempo, em uma falha do goleiro paraguaio Tavarelli, deixou o Grêmio na lanterna, sete pontos atrás do penúltimo colocado. O Grêmio chegou ao fim da temporada 2004 com uma campanha que colocaria o time, no Brasileirão, como lanterna e clube recordista de derrotas na história da competição. A triste realidade da equipe com os piores resultados nos 101 anos do clube.

Todos sabiam que Obino evitava tratar com empresários de jogadores, o que fez o clube ser boicotado por alguns deles. "Como não existe mais passe, não sei por que procurar empresários, se posso negociar com o próprio atleta. Se puder ser direto, melhor. Só falo com o agente se for necessário".

Alguns se queixam ainda da falta de influência do dirigente nos bastidores. "Nunca vi uma direção ficar tão submissa. Parece que estão satisfeitos com a interdição", diz Alexandre Martau, integrante da torcida Alma Castelhana, a maior do clube, sobre o fato de o Grêmio ter perdido cinco mandos de campo no STJD por objetos atirados em campo.

Gentil, afável, voz rouca, nefilibata, parnasiano e grande administrador, Obino, de 68 anos, não se altera com as críticas. Pelo contrário, ele ri dos repórteres,e não perde a chance de criticá-los, ridicularizá-los e avacalhá-los como os seus algozes e criadores do seu mito de grande pé frio e grande corneteiro. Escolhido esmagadoramente por aclamação pelo Conselho Consultivo para liderar o time no seu centenário, em 2003, argumenta que pegou do antecessor, José Alberto Guerreiro, o clube quebrado e com salários atrasados e que agora as finanças estão em dia. "Duvido que tenha um clube no Brasil que pague os salários antecipadamente, como aqui", gaba-se, com muito orgulho de sua administração falida. Não é bem assim. O Grêmio tem uma dívida de pelo menos R$ 95 milhões (a maior parte fiscal e trabalhista), e reponde a diversos processos na Justiça do Trabalho (só o de Danrlei beira os R$ 3 milhões) e, embora esteja mesmo com os salários mais enxutos (o maior é o de Christian, R$ 70 mil mensais) e em dia, deve a boa parte dos funcionários valores referentes a dissídios coletivos.

Mas como muitos torcedores, ele acredita que este é o entreato do grande momento que surgirá. Acredita que o Grêmio vai sair da Segunda direto para a Libertadores da América. O seu consolo é que muitos torcedores corroboram ele.



ANEXO 1


Poltrona 36


Segue aqui o texto original do jornalista Adão Oliveira, do Jornal do Comércio do dia 30 de dezembro, que jogou a lama no ventilador azul. a maioria da imprensa não quis tocar no assunto, para não piorar o estado das coisas e não ser chamada de oportunista, marrom, vermelha, forma como os verdadeiros culpados do descenso (e de qualquer escândalo) preferem projetar a sua incompetência em repórteres. Na verdade, a imprensa foi muito indulgente com os deslizes do Grêmio. Alguém ainda vai contar toda a história, não apenas para o bem do Grêmio, mas para que todos os dirigentes e clubes aprendam o que é preciso fazer para cair para o inferno da segundona. Façam como Obino e seus asceclas. Enquanto Nero tocava a sua harpa dourada, o barco seguia rumo à segunda Divisão.


30/12/2004
A poltrona 36

"É impressionante a qualidade dos ônibus rodoviários fabricados no Brasil. Eles são desenvolvidos com a mais moderna tecnologia, para proporcionar aos passageiros o máximo espaço e conforto em viagens interestaduais.

As maiores empresas de ônibus do mundo possuem esses exemplares brasileiros que lhes oferece economia, resistência e o menor custo operacional possível.

Atentos a essas vantagens, também os clubes de futebol adquiriram ônibus. O Grêmio até se orgulha disso. O Trovão Azul, adquirido na gestão do presidente Guerreiro, é um espetáculo e permite, em viagens longas, que os craques gremistas descansem depois de um dura partida de futebol.

Esse ônibus, orgulho do ex-presidente Flávio Obino, possui dois andares. A parte de baixo, é dedicada ao entretenimento. Lá existe um bar, televisão, som e mesas de jogos. Os rapazes mais alegres preferem o andar de baixo. No andar de cima, viajam àqueles que querem descansar, relaxar, dormir.

Tudo estaria correto não fosse a utilização, por alguns jogadores, do andar de baixo do Trovão Azul, para promoverem uma verdadeira orgia. Isso foi visto pelo ex vice-presidente de futebol, Hélio Dourado. A festa teria ocorrido na volta de Curitiba.

No andar de baixo foi realizada uma farra, enquanto integrantes da comissão técnica, dirigentes e a maioria dos atletas tentava descansar no andar de cima.

Esse comportamento se repetiu na vinda de Pelotas, depois do jogo contra a Ponte Preta.
Nessa noite, no andar de baixo, os rapazes alegres até dançaram a Éguinha Pocotó.

O dr. Hélio Dourado, um gremista de história no clube, se diz chocado com o que viu: “Vi coisas que jamais pensei que veria. Esses cavalheiros, com graves problemas de comportamento, não podem vestir a camisa do Grêmio”, disse Dourado, um dos cardeais do clube.
O que teria visto Dourado para se dizer horrorizado com os fatos a ponto de fazer uma relatório apontando para Odone os indisciplinados do grupo?

Ao que se diz, não foi somente as farras ocorridas no andar de baixo do Trovão Azul, que deixaram o experiente dirigente indignado.
O pior teria ocorrido na poltrona 36.

O andar de cima do Trovão Azul possui dezenas de poltronas. A última, lá na parte traseira do ônibus é a poltrona de número 36. Não fosse se localizar praticamente em cima das rodas traseiras, a poltrona 36 seria igual as outras. Ela dispõe do mesmo conforto e até amacia os solavancos. Normalmente, os jogadores que querem descansar ficam bem distantes do fundo do ônibus. Lá, um mesmo grupo se aboleta no conforto das poltronas para jogar conversa fora. A conversa, quase sempre em tom mais alto, provoca gargalhadas homéricas. Quem quer silêncio, também não senta por lá.

Pois, foi na poltrona 36, no fundo do ônibus, que um dirigente teria visto uma cena que o teria escandalizado. Pelo menos era isso que se dizia na noite da posse de Paulo Odone, na presidência do Grêmio.
A bordo do Trovão Azul o time voltava de Curitiba. Um dirigente estava sentado nas poltronas localizadas na parte da frente do ônibus. Cansado, e sem conseguir conciliar o sono resolveu espichar as pernas. Ele se levanta e vai até o fundo do ônibus e vê uma cena que o deixou petrificado. Na poltrona 36, dois jogadores, desolados com a derrota ou alheios a ela, se consolavam. Escandalosamente.
Quem viu, viu! Quem não viu, ouviu.
À boca pequena!!!"


Fotomontagem: torcedores vermelhos fazem a festa em cima do clube da piada pronta




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